53 anos de um anjo torto, Joca Sanz

Luiz Alberto Sanz

Torquato Neto e Jards Macalé:

“quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião

eis que esse anjo me disse
apertando minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
let’s play that”

Recorro a estes versos para comemorar o aniversário de meu caçula, aquele que o exílio chileno e minha amada Odila me presentearam quando acreditávamos ter encontrado uma segunda pátria, que chegaria pacificamente ao socialismo. Mas ele nasceu quando a ventania já trazia o golpe fascista em seu bafo, quatro dias antes do tanquetazo, balão de ensaio para o 11 de setembro. Desde então foi uma vida de correrias, fuga, viagem em avião cargueiro militar fichamentos, má alimentação, vacinações, tudo que pudesse estressar um recém-nascido.

Hoje, 25 de junho de 2026, não vou contar sua história, vou tentar homenageá-lo com imagens. Algumas que encontrei na bagunça do meu arquivo, tão incompleto.

João Luiz no meu colo, na Villa Santa Isabel, na hoje comuna de Sán Ramón, julho de 1973.





Joca só conseguiu seu passaporte, mesmo com decisão judicial favorável, depois da Anistia. Tinha 5 anos.
Primeiro café caseiro no Brasil, 10 de dezembro de 79, preparado pela Vó Iá. Bom apetite e mau humor.

Encontro de Família em Maravista: José Luiz, Mônica e André Luiz Sanz, Jussara e Maria Luiza Araújo, João Luiz e Maria Carolina Sanz.




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