Eleições e Partidarização no começo do recomeço

Memória:

Há 24 anos, efervesciam os conflitos resultantes da radicalização inspirada pelas primeiras eleições mais ou menos livres desde o início da Ditadura Fascista de 1964 no Brasil. Em junho se realizara o II Enclat, que decidiu pelo adiamento do Congresso das Classes Trabalhadoras para 1983. Isso deixou insatisfeitos sobretudo petistas e pedetistas, que contavam capitalizar os postos conquistados na nova Central para fortalecer suas presenças nos parlamentos e Executivos de todo o País. Afinal, eram eleições gerais, de vereador a senador, só ficaram de fora Presidente e Vice. O II Enclat se constituiu num laboratório experimental da divisão que se gestava praticamente desde que a reunião de Gragoatá, em 1979, consttuíra uma precária unidade.
Em 21 de outubro, publiquei no Jornal de Brasília, novamente como correspondente, uma análise da situação, a partir dos episódios de pugilato do Segundo Enclat fluminense, que terminou num grande confronto em que mais se feriram os que foram apartar. Mas, essa história fica para outra memória do Neném, agredido a dentadas por um metalúrgico.

Rio de Janeiro, 21 de Outubro de 1982

IDEOLOGIAS PARTIDÁRIAS DIVIDEM TRABALHADORES

Luiz Alberto Sanz (Correspondente)

INSTRUMENTALIZAÇÃO

Os pontos centrais no conflito eram a realização do congresso das classes trabalhadoras ainda em 1982 (antes das eleições), e a eleição da intersindical. Um grupo grande de delegados, que dividia ao meio os pedetistas, peemedebistas e os petistas, era pela transferência do congresso para 1983. Achavam que seria inevitável, como dizia na época um dirigente dos professores, a partidarização e a divisão do movimento em função das eleições parlamentares e governamentais. As razões, para isso, eram muitas, tantas quantos os candidatos sindicalistas distribuídos pelos diversos partidos, em todo país. Não cabem dúvidas de que o partido que conseguisse maioria, ou pelo menos os cargos mais significativos na Central Única dos Trabalhadores capitalizariam para sua campanha este fator exclusivamente sindical.

O pensamento pode ser resumido assim: Lula, é, sem dúvida, o líder sindical urbano de maior projeção nacional. O mais conhecido, com maior passagem nos meios de comunicação e que é respeitado pelos trabalhadores em todos os estados. Mas ele não é candidato a governador de São Paulo por todos os trabalhadores, apenas por aqueles que simpatizam com o PT. Assim, seria muito viável que fosse escolhido do II Conclat como secretário-geral da CUT, (Central Única dos Trabalhadores), não seria justo que capitalizasse isso para eleger-se governador.

Tal situação foi parcialmente revelada quando um estudante do PT, presente ao debate de Miro Teixeira na Universidade do Estado Rio de Janeiro, afirmou que o I Conclat decidira que todos os trabalhadores deviam organizar-se no seu partido. Possivelmente mais uma demonstração de ignorância de que mentira. Mas é possível imaginar, por exemplo, as consequências para a candidatura de Carlos Alberto de Oliveira — o popular Caó — líder dos jornalistas do Rio, se fosse eleito para posição no secretariado da CUT, às vésperas das eleições. Certamente seria uma ajuda providencial à sua candidatura para deputado federal, pelo PDT.

APARTIDÁRIO

            As propostas apresentadas na reunião dos trabalhadores fluminenses em junho, recomendando não votar no PDS, foram rejeitadas. Não que os delegados apoiassem o partido do presidente Figueiredo, pelo contrário. Mas a ideia é que isso implicaria numa definição partidária. Assim o repúdio aos parlamentares que votaram a favor do pacotão da previdência, incluía todos os representantes do partido de Moreira Franco, mas tinha um fundo absolutamente sindical.

Por outro lado, o 1º Congresso Estadual dos Metalúrgicos não foi assim tão sutil. Em Itatiaia, 175 delegados aprovaram seis pontos quanto as eleições:

“Nosso dever é participar de todos os movimentos que visem:

1º – O exercício de uma democracia plena.

2º – O estabelecimento das prerrogativas do congresso.

3º – O restabelecimento das imunidades parlamentares.

4º – Realização de eleições realmente livres, limpas e diretas em todos os níveis.

5º – Eleições de uma assembleia nacional constituinte após o fim de todas as leis de exceção.

6º – Votar na oposição com o objetivo de derrotar nas eleições o PDS.”

É lógico que, com maior ou menor variação, as posições das diversas correntes atuantes no movimento sindical são semelhantes, do ponto de vista programático. É assim que todos os candidatos sindicalistas do Rio lutam por:

  • Garantia de emprego e direito de greve para todos os trabalhadores, inclusive os servidores públicos.
  • Liberdade e autonomia sindicais.
  • Reajuste trimestral.
  • Participação dos trabalhadores na gestão da previdência social.
  • Reforma agraria ampla, massiva e imediata, com participação dos trabalhadores rurais na sua execução.
  • Fim da política econômica recessiva.
  • Revogação da lei de segurança nacional.
  • Direito de sindicalização dos servidores,
  • Assembleia constituinte livre e soberana,
  • Salário-mínimo real e unificado.

Pontos aprovados, sem divergências fundamentais, pelo conjunto das tendências reunidas no encontro estadual de junho.

LIDERANÇA

É na aplicação desse programa, na sua condução, que se concretizam as divergências que dividem os homens. Assim, da principais lideranças sindicais do Rio, o PDT deslocou Carlos Alberto de Oliveira e Sebastião Ataíde dos seus postos à frente das suas entidades de classe, para candidaturas à deputação federal. E o primeiro, presidente dos jornalistas, é considerado imprescindível, por seus companheiros, ao bom funcionamento da Intersindical. Político hábil, ex-vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, “Caó” era capaz de costurar as situações mais delicadas; e Ataíde permitiu a partidarização do sindicato dos rodoviários ainda no tempo que andou conversando com o finado PP e depois quando passou pelo PMDB. Quando apareceu candidato pelo PDT teve que enfrentar-se com seus antigos companheiros de diretoria, que não concordaram com a “instrumentalização” do sindicato.

O PMDB também fez três deslocamentos importantes: o líder da greve mais importante realizada no Rio de Janeiro antes da abertura, Godofredo Pinto — presidente do Centro Estadual de Professores — lançou-se candidato a deputado estadual. Francisco dal Pra, presidente da Federação dos Metalúrgicos do Estado e uma das lideranças mais importantes na oposição à atual direção da CNTI — Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria — concorre ao cargo de vice-prefeito de São Gonçalo. O terceiro, menos conhecido, não é menos poderoso: Raimundo Leone Santos, presidente do Sindicato de Trabalhadores Agrícolas de Itaboraí, considerado como o segundo em peso político entre os “rurais”, devendo integrar a chapa de situação para a federação da sua categoria no cargo de secretário geral. Candidata-se a vereador na sua cidade.

O PT não deslocou nenhuma das suas lideranças principais, no campo sindical, para candidaturas. Parece entender a necessidade, aqui no estado, de fazer crescer sua influência nas entidades de classe e ajudar o movimento dos trabalhadores a crescer. Seus candidatos mais conhecidos são os presidentes dos radialistas, Antônio Luciano Fuser, o Médico Luís Tenório, que teve atuação destacada na greve da categoria em 80 mas que foi derrotado, quando concorreu, pela oposição, à diretoria do Sindicato. Luciano é candidato a deputado federal e Tenório a suplente de senador.                                             

OPÇÕES

Desde que as eleições se tornaram um fato, quando morreram as perguntas “mas você acredita mesmo que vai haver eleição?” muitas opções foram feitas. Com a recomposição partidária, aqueles sindicalistas que estavam fechados em todas as questões — praticamente — no encontro estadual dos trabalhadores se separaram. Foi o caso de Ivan Pinheiro, bancário, Secretário Administrativo da PROCUT e Secretário-Geral da INTERSINDICAL FLUMINENSE (PMDB) e Nery Onofre Rodrigues, Primeiro Secretário do Sindicato dos Gráficos e secretário de Comunicação Social da INTERSINDICAL DO RIO (PDT).

É verdade que, no plano sindical, nas formulações de classe, continuam afiados, formando um quarteto com seus companheiros Santos Nogueira, rodoviário (PMDB); Geraldo Candido da Silva, metroviário (PT); integrantes do secretário da Intersindical.

O fato mais marcante para o movimento sindical, como conjunto foi a desmobilização. O sindicato dos bancários, por exemplo, encerrou uma negociação de convenção coletiva com uma assembleia dos empregados do BANERJ — aquele onde existem mais ativistas — com a presença de treze elementos de base. A executiva do conselho Intersindical, formada por treze entidades, não tem obtido quórum para suas reuniões. Todos vivem as eleições, enquanto a vida nacional passa do lado de fora da janela, o governo aproveitando para enviar projetos ao Congresso e o governo estadual à Assembleia Legislativa, sem que os sindicatos sequer percebam.

Como vêm alguns destes homens tais problemas pelos partidos que optaram? Os do PT é fácil entender. Eles estão construindo o seu partido, têm uma estratégia com vistas voltadas para um futuro não tão próximo. E os outros?

Ivan Pinheiro diz que o PMDB “continua sendo o partido que exprime a frente e que tem condições para eleger o maior número de governadores e a bancada mais numerosa de oposição. Para ele, que conta, nas suas declarações com o apoio de Eraldo Lirio, essa é a mesma frente que conseguiu a anistia, as eleições diretas para governador e o fim das torturas. O momento é para a unidade sem discriminações”.

CAUDILHISMO

Nery, o gráfico, definiu-se:

“em primeiro lugar, pelo problema do estado. O PMDB no Rio está profundamente identificado com a patronal. Por outro lado, há o problema nacional. Os partidos agora existentes são frentes que fatalmente vão se dividir, inclusive o meu, o PDT. Agora, os chaguistas vão eleger 80 por cento dos candidatos do PMDB. O que vai ser dos oposicionistas autênticos depois das eleições?”

Reconhece, por outro lado, que o PDT sofre do problema do “Caudilhismo” de Brizola, mas isso é secundário em função da sua linha nacional”.

Ivan Pinheiro e Eraldo Lirio, membros do secretariado da PROCUT, acham que apesar de tudo, a divisão e a partidarização não prejudicaram muito a coordenação nacional do movimento: “A sectarização já era anterior. Então permaneceu tudo como era”, se bem que o camponês é mais incisivo: “Não deu para tirar o trem do caminho, mas foi necessário dobrar a paciência para progredir”.

Mas, é preocupação geral que, passadas as eleições, o movimento recomponha com o espirito de ampliação e de unidades que orientou a formação da Executiva da Intersindical, onde todas as forças importantes estão representadas.

“O movimento sindical, principalmente o operário, sofre uma fase de descenso, devida em parte também à polarização da sociedade pela questão eleitoral, quando boa parte dos quadros operários e sindicais passaram a mobilizar-se com destaque, em torno da luta geral e parlamentar e democracia. Acontecimento natural, uma vez que os dirigentes sindicais são eles próprios dos melhores quadros políticos da nação, desviou, no entanto, forças fantásticas do trabalho de organização da classe como tal, para classe como tendência política”.

Tal formulação, rejeitada no final de junho pelo 2º Encontro Estadual dos Trabalhadores do Rio de Janeiro, parece escrita hoje, quando os aparelhos de alguns sindicatos se apresentam rachados de cima baixo, como no caso dos rodoviários.

Vitoriosos e derrotados, ou apenas derrotados, os peemedebistas e os pedetistas terão que conviver e apresentar-se juntos, frente à categoria, para enfrentar o descrédito que eles mesmos construíram.

INTERSINDICAL

Com o 2º encontro, o setor politicamente mais ativo do sindicalismo fluminense sofreu um redirecionamento, graças, fundamentalmente à mudança da política de alianças dos comunistas ligados ao Comitê Central. Acabaram levando à pratica o seu discurso contra a “partidarização” do CONSELHO INTERSINDICAL e trocaram uma relação “privilegiada” com o MR-8 (seu parceiro no PMDB) por uma ampliação do “leque de força”, incorporando a executiva do órgão, entidade sob a influência do PDT e do PT. Não foi, certamente, um redirecionamento pacifico. A reunião interrompida duas vezes em consequência de agressões de sindicalistas próximos ao MR-8 a dirigentes simpatizantes do PC.

Memórias do Neném: Partidarização nos sindicatos

Luiz Alberto Sanz

(Nome de guerra: Neném Barreto Leite)

“Os trabalhadores (…) têm que dar a luta política para poderem realizar seus objetivos econômicos. Em consequência, o Sindicato passa a ter uma nova meta: representar politicamente a classe, toda a classe. Aos sindicatos cabe lutar pelos interesses econômicos e políticos dos trabalhadores. Sejam de que partido forem”.

(Chapa Integração, eleita para o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do Estado do Rio de Janeiro em 1971)

Me apresentando: No começo da década de 60, fui repórter do semanário Novos Rumos, do PCB, e editor sindical do também semanário Movimento, da UNE. No exílio, fiz parte da equipe do periódico Tribuna Sindical, editado pelo excelente jornalista alagoano Nilson Miranda, membro do Comitê Central do Partidão, de quem fiquei amigo próximo. De volta ao Brasil, em dezembro de 1979, filiei-me ao Sated/RJ, onde minha mãe (Luiza Barreto Leite), meu irmão (Sérgio Sanz) e meu “pai putativo” João Ângelo Labanca militavam e haviam participado ativamente da luta e das negociações pela regulamentação da profissão, junto com a inesquecível Presidente Vanda Lacerda. Aí, entre outras atividades e funções, editei o periódico Cena Livre, representei a categoria, junto com Labanca, na Executiva da Unidade Sindical, nos Encontros Nacionais de Artes Cênicas, nos três Enclats e dois Conclats de Praia Grande. Fui Secretário Geral na gestão da atriz Maria Pompeu e Presidente quando ela renunciou.

Em todos os países por onde passei, encontrei problemas semelhantes aos apontados pelo petroleiro Antony Devalle em seus artigos publicados no sítio da Organização Popular (OP): Mas a hstória da partidarização dos movimentos sociais vem de muito antes. Tem suas raízes mais evidentes no golpe bolchevique de novembro de 1917 que detonou a Revolução dita Soviética, começando por partidarizar os próprios sovietes (Conselhos de Operários, Soldados, Camponeses e Intelectuais que discutiam os rumos do movimento revolucionário) deixando-o na ignorância de que o comando do Partido Operário Social Democrata da Rússia já decidira tomar o poder à revelia de todos.

Todas as centrais sindicais hoje são hegemonizadas por partidos. A CUT pelo PT, a CTB pelo PCdoB, a Força Sindical (conhecida no movimento como Farsa Sindical pela sua ligação especialmente estreita com o patronato) pelo Solidariedade… A Conlutas pelo PSTU. Todas, em maior ou menor grau, atuam numa lógica de tentar fazer dos sindicatos suas sucursais.” (https://share.google/JlLzfVTVPM571bjkn)

Na Suécia, quando lá estive, era oficializado. A maior central, Lands Organizationen (LO) era (é) socialdemocrata. Não sei agora, então vou me referir no passado, salvo exceções.

Para trabalhar em determinados setores, era preciso filiar-se ao sindicato e, automaticamente, ao partido. Eu era membro da independente Federação dos Portuários Hamnarbertar Förbundet) que representa e aglutina a maioria dos estivadores, que atuam por seu intermédio.

Fundada em 1972, nela ingressei dois anos depois. Era uma sensação estimulante poder atuar e trabalhar fora da “gaiola” dos partidos e de alguma forma contribuir para uma alternativa à neutralidade que alimentava a hipocrisia do estado e dos partidos.

A Suécia de Palme e do PSD convivia e seus antigos seguidores convivem com a monarquia e estatutariamente professam o republicanismo. Apoiaram Cuba, Vietnam, a luta contra o apartheid na África do Sul e o Chile de Allende (e fizeram grandes negócios, como tinham feito na II Guerra Mundial). Acolheram refugiados de todas as partes e raros foram os que tiveram oportunidades à altura da sua capacitação.

Ali conheci gente de muitas tendências: revolucionários de Tigré, do Irã, suecos, da Eritreia… Vi o tigrino e o eritreu concordarem sobre o futuro da antiga Abissínia, apesar das divergências dos líderes de seus povos que se chocariam em uma guerra civil menos de duas décadas depois. O porto transpirava rebeldia. Finlandeses, bengalis expulsos de Uganda e rejeitados por Bangladesh, nativos que não suportavam mais as cadeias de produção… Apoiavam nosso sindicato livre, que não financiava partidos nem beijava mãos.

Quando descarregava um navio no porto de Estocolmo, fui convidado a trabalhar como arrumador de cargas, categoria subordinada à Federação do Transporte (Transport Förbundet), uma das entidades mais importantes da LO, ao lado da Federação dos Trabalhadores da Construção Civil (Svenska Byggnads arbetares förbundet). Então, conheci na prática o sindicalismo da social-democracia.

Eu precisava de dinheiro. Odila, minha companheira, trabalhava como faxineira e, depois, numa fábrica de chocolates, e ainda estudava, mas eu não mais recebia o empréstimo estudantil (o FIES de lá) que ia começar a pagar em breve. Nosso filho, Joca, crescia. Topei, mas não ingressei no Sveriges Socialdemokratiska Partiet/SDP, apesar de ter boas relações com alguns de seus membros.

A coisa começou a pesar. Os estivadores descarregavam os navios e traziam a carga até os armazéns. Nós a organizávamos no espaço para isso reservado. Todos os dias era designado para, logo cedo, fazer a faxina do armazém e do porão. Me testavam. Quem já trabalhou com isso sabe que é uma luta contra os ratos.

Um dia, ao transferir de um contêiner equipamentos óticos científicos, vimos um operador de monta-carga, homem de confiança do capataz, apropriar-se de um microscópio de alta precisão. Ele nos incitou a fazer o mesmo com outros aparelhos, mais baratos. Ficamos “na moita”, como se nada tivéssemos visto ou entendido, pois, tirando um jovem do Stockholmspartiet, éramos todos imigrantes (invandrare) que mal falávamos sueco. A pressão aumentou, o capataz nos chamou, dias depois, e perguntou se sabíamos quem tinha levado o microscópio eletrônico. Dissemos não ter ideia.

Não permaneci muito tempo como arrumador de carga. Os estivadores aprovaram um boicote internacional aos navios que transportavam cobre da ditadura chilena. Tinha um no Porto de Estocolmo. Fomos designados para descarregá-lo, substituindo o pessoal da estiva. Não podíamos nos negar, pois o sindicato dos arrumadores não aprovara o boicote. Já na hora extra, sofri um acidente. Uma barra de 125 kg caiu no meu pé esquerdo, que não quebrou por eu usar uma botina Cartepillar reforçada com biqueira e sola de aço, que aparou o impacto principal. Ali terminou minha carreira de estivador/arrumador de carga. Voltei para o Cinema, desistindo de me proletarizar.

No Chile tinha observado, embora sem a devida consciência crítica, que o movimento sindical era atrelado aos partidos da Unidade Popular, a contragosto para alguns setores e militantes, sobretudo socialistas e a oposição dos poucos anarquistas. A Central Única dos Trabalhadores era presidida por um membro do PCCh, Luís Figueroa, que assumiu o Ministério do Trabalho sem afastar-se do cargo sindical, já o Secretário Nacional, o socialista Rolando Calderón, licenciou-se para assumir o Ministério da Agricultura, mas foi substituído por seu correligionário Manoel Dinamarca. Havia membros de outros partidos na Diretoria, mas a predominância era de comunistas e socialistas.

Isso me lembrou os tempos em que militei na UNE ou em torno dela: A Presidência era sempre da AP ou de um “independente” ligado à AP. Só não foi em 64/65, quando a Diretoria foi desbaratada e Ernane Farias assumiu o cargo na clandestinidade. A composição da chapa era decidida pelos representantes dos partidos e depois levada ao plenário, sem discussão das bases.

Nesse tempo e no da “Abertura”, quando retornei ao Brasil, eu era comunista partidário, mas não aceitava a partidarização das entidades de classe ou comunitárias como “naturais”. A experiência no exílio fortaleceu tal rejeição. O papel de tais entidades é “lutar pelos interesses econômicos e políticos dos trabalhadores. Sejam de que partido forem” como afirmamos na carta de princípios que nos elegeu para o Sated/RJ.

Em 1980, como Secretário do Comitê Cultural municipal carioca do PCB escrevera num informe político:

Todos os setores (…) querem impor seus projetos, inclusive nós. Não conseguindo, vem o desespero.

Nós precisamos fazer uma análise disso e reverter a situação. Não temos tomado atitude aberta com a massa. Continuamos trabalhando em conchavo de gabinete. O trabalho no Sindicato e na Unidade Sindical tem sido feito por cima. Não é produto do pensamento da massa.

E necessário impedir que as organizações sindicais sejam utilizadas para fins partidários (…). As entidades de massas não são currais ou quintais privados de ninguém. Elas pertencem às categorias que reúnem.

Por ocasião dos 3º Enclat e 2º Conclat eu já não pertencia aos quadros do PCB, mas mantinha os princípios que sempre me guiaram. Em Praia Grande, 1983, juntamente com o petroleiro Xisto Bahía (PCdoB), de Mataripe, apresentei a moção que vetava a partidarização dos sindicatos, aprovada com maioria absoluta pelo plenário.

No período que antecedeu e se seguiu ao I Congresso, escrevi publiquei no Jornal de Brasília, do qual correspondente e chefe de redação, vários artigos e reportagens sobre o Movimento Sindical. Republico alguns trechos que tocam na questão da unidade.

Tomando como mote a peça Bella Ciao, de Luís Alberto de Abreu:

(…) e 1935. O filho preparando-se para o levante da Aliança nacional Libertadora, o pai recordando, mais uma vez, a greve de 1917, que parou o País e reuniu 50 mil operários em São Paulo. Gennarino corta: “Em 17 o movimento operário não tinha direção”; Giovanni na pontada língua: “Hoje, a direção de vocês não tem operários”.

(Gennarino cresceu. O Movimento não)

(…)

Indo direto ao assunto:

As representações a ambos os encontros preparatórios do Congresso da Classe Trabalhadora não são expressivas do conjunto do movimento sindical. Na verdade retratam o grau de participação a que a “vanguarda” dos trabalhadores foi levada. O único setor de preponderância realmente independente – o dos trabalhadores agrícolas, liderados por José Francisco, Presidente da Contag – não contam com recursos para fazer chegar todos os seus delegados a São Paulo, vindos dos recantos mais longínquos do País. A grande maioria dos participantes será, como em 1981, de profissionais liberais e categorias de classe média, munida de discurso radical mas de prática bem menos comprometida com o cotidiano dos trabalhadores: engenheiros, sociólogos, médicos, arquitetos, economistas… ou então eleitos em assembleias às quais concorrem vinte, trinta elementos que elegem oito, dez, quinze elementos de “base” em categorias nas quais jamais conseguem conquistar a diretoria.

Através da história do movimento operário brasileiro, não se conhece unidade conseguida em congresso ou reuniões. Sempre foi nas lutas e no trabalho diário que as diversas opiniões se unificaram e entenderam, dando passos adiante.

(…)

Por um lado, um setor social-democrata de extrema esquerda convoca um Conclat para São Bernardo, por outro lado um setor de extrema direita, encabeçado por Ari Campista, convoca um congresso que passa exclusivamente através da estrutura das Confederações. No meio, tentando ampliar e refletir as preocupações da sociedade brasileira, um setor de centro-esquerda organiza o Conclat para Praia Grande, nos dias 4, 5 e 6 de novembro.

(UMA RETIFICAÇÃO DO EIXO SINDICAL, 23/10/1983)

Em 2026, o panorama é outro, bem diverso, não só o líder que agia como extrema esquerda acaba de negar sequer pertencer à esquerda e desenvolve uma política de Centro-Direita, acompanhando a Social-Democracia europeia, como quase todos os outros se contentam em ter uma central só pra si ou, como o Cidadania, a versão farsesca dos que destruíram o PCB, recolher as migalhas dos liberais.

Felizmente, os libertários continuam a ser libertários.

Anarquismo e adicção. Mantenha a mente aberta.

Antônio Carlos … Para baixar o texto integral com formatação original, clique no link a seguir ou pode lê-lo na sequência: … Anarquismo e adicção. Mantenha a mente aberta. … … Só por Hoje Só por hoje eu não quero mais chorarSó por hoje eu espero conseguirAceitar o que passou o que viráSó por hoje […]

Anarquismo e adicção. Mantenha a mente aberta.

Memória do 14 de Janeiro de 1971

https://wp.me/p7mAtk-14b

Luiza Barreto Leite como Mariana Pineda

Há cem anos Marianita Pineda dorme bem junto ao nosso peito

Este artigo é uma atualização do ensaio Mariana Pineda ─ personagem em busca de intérprete, assinado por Luiza Barreto Leite, publicado nos dias 12 (1ª parte) e 19 (2ª parte) de setembro de 1970 na coluna Folhetim, à página 10 do 1º caderno do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro. O texto é fruto da correspondência que Luiza manteve com seu filho Luiz Alberto Sanz durante o período em que ele esteve encarcerado no Presídio Tiradentes, em São Paulo, durante a ditadura fascista. É, assim, o primeiro artigo que escreveram a quatro mãos. O esboço consta de uma carta de Luiz com data de 05 de agosto daquele ano, em que foram tratados outros assuntos. Luiza melhorou e aprofundou o ensaio e o publicou apenas com sua assinatura porque de outra maneira não passaria pela censura. Agora, Luiz Alberto fez umas revisões e atualizou datas e algumas palavras que ele próprio não traduzira e Luiza respeitara na versão impressa.

Mariana Pineda ─ personagem em busca de intérprete

Luiza Barreto Leite

Há um século (08.01.1925), Federico García Lorca terminava de escrever um dos mais belos poemas dramáticos da literatura mundial: Mariana Pineda[1]. Anos mais tarde, quando da estreia da peça tantas vezes recusada pelo teatro profissional, Federico diria que

Na multidão das sombras poéticas, Mariana Pineda vinha pedindo justiça por boca de poeta. Rodearam-na de trombetas e ela era uma lira. Igualaram com Judite e ela ia na sombra buscando a mão de Julieta sua irmã, cingiram sua garganta partida com o colar da ode e ela pedia o madrigal libertado. Todos cantavam a águia que partia de um golpe a dura barra de metal e ela balia antes como o cordeiro, abandonado de todos, sustentada tão só pelas estrelas.

Realmente, como é humana a heroína de Lorca. Como traz no seio a própria Granada da infância do poeta, que

será sempre mais plástica que filosófica. Mais lírica que dramática.

E o drama é intenso em Mariana, trazendo para seu seio a tragédia mesma de Espanha:

Oh, que dia tão triste em Granada,
Que às pedras fazia chorar
Ao ver que Marianita morre
No cadafalso por não declarar

É uma personagem que o autor chama de “duende”, alma de seu país.

Ninguém se diverte no baile espanhol nem nos touros, o duende se encarrega de fazer sofrer por meio do drama, sobre formas vivas, e prepara as escadas para uma evasão da realidade que circunda.

…o duende fere e na cura desta ferida que não se fecha nunca está o insólito, o inventado da obra de um homem.

…o duende não chega se não vê possibilidade de morte…

Creio que uma das questões mais importantes levantadas, logo no início, em Mariana Pineda, é a humanidade dos personagens. É tradição no teatro clássico — transportada em grande parte para o drama burguês — erguer os heróis com todas as suas virtudes de fortaleza e esboçá-los nos traços mais grandiosos. O traçado de Marianita é aquele de Granada:

solitária e pura, apequena-se, cinge sua alma extraordinária e não tem mais saída senão encontrar seu alto posto, natural entre as estrelas. Por isto, porque não tem sede de aventuras, dobra-se sobre si mesma e usa o diminutivo para recolher sua imaginação, como recolhe seu corpo para evitar o voo excessivo e harmonizar sobriamente suas arquiteturas interiores com as vivas arquiteturas da cidade. (…) O granadino está rodeado pela natureza mais esplêndida, mas não vai a ela. (…) As paisagens são extraordinárias, mas o granadino prefere olhá-las da sua janela. Assustam-no os elementos e despreza o vulgo vozeador, que não é de nenhuma parte, como é homem de fantasia, não é, naturalmente, homem de coragem. Prefere o ar suave e frio de sua neve, ao vento terrível e áspero que se ouve em Ronda, por exemplo, e está disposto a pôr sua alma em diminutivo a trazer o mundo dentro de seu quarto.

Lorca busca um tema simples: Uma jovem aristocrata, apaixonada, une-se aos liberais por amor a seu líder.
Isto acontece no século XIX. A jovem se verá, com o tempo, transformada no próprio símbolo e força daquilo em que penetrou sem consciência mais profunda:

Como lírio cortaram o lírio
mais formosa sua alma ficou.

O trabalho do autor é o engrandecimento do processo de transformação da “triste amiga, Marianita Pineda.”, naquela que bradará quase ao final, quando atinge sua individuação, sua consciência plena:

Morrer! Que grande sonho sem sonhos nem sombras!
Pedro, quero morrer pelo que tu não morres,
pelo mais puro ideal que iluminou teus olhos!

E este processo não é o da construção de uma estátua, inquebrantável. mas o de uma mulher fraca, dependente, vacilante e terna que, de repente. percebe que lhe coube o principal e mais duro papel num dos atos da História. O caminho de Mariana até este ponto não encontra loas, mas lamentações. O coro não a engrandece, não elogia suas virtudes de combate, mas enaltece suas fraquezas de mulher. Por vezes buscará influir para que abandone o caminho escolhido:

Já não verão teus olhos as laranjas de luz
que a tarde porá nos telhados de Granada

Quem é a personagem? Ela inicia a peça fazendo um bordado, o da bandeira dos liberais. É algo insignificante: um simples bordado. Sua aplicação prática é nenhuma: para que servirá uma bandeira, se não é hasteada? Mas as ligações psicológicas que carrega a tornam pesada. Mariana não borda por convicção, mas por amor. É extremamente ligada à sua família, pelo sentimento. No entanto, a primeira cena em que aparece já trará uma figura amputada sentimentalmente pela enormidade do encargo que assumiu e que não é mais do que bordar o símbolo e ajudar o seu amante. A angústia está em cada uma das palavras que pronuncia, dirigindo-se às jovens que lhe fazem companhia enquanto borda:

Que bem me causais
com vossa alegria de meninas!
A mesma alegria que a velhinha
sente quando o sol dorme nas suas mãos
e ela o acaricia crendo que nunca
a noite e o frio cercarão sua casa.

Mas ao ficar sozinha, expande-se:

Hora redonda e escura
que me pesa nas pestanas.
Dor de velho luzeiro
detido em minha garganta.
(...)
Esta noite que não chega!
Noite temida e sonhada;
que me fere já de longe
com longuíssimas espadas!

Há personalidades que não cabem apenas no espaço reservado às histórias que de verdade aconteceram. Elas trazem a dimensão da poesia e quando encontram quem as defina passam à História nelas envoltas. Mariana Pineda, a heroína da Espanha livre e Garcia Lorca, seu poeta, completam-se de tal forma e acabaram coexistindo no mesmo trágico destino, transformando-se em idêntica expressão de um mesmo símbolo: aquela liberdade da qual não tiveram consciência senão depois de havê-la perdido. pela qual não lutaram senão através da resistência passiva de quem vai tomando conhecimento do valor e da importância daquilo que sempre possuiu e, por isto, não sabe o quanto vale.

Garcia Lorca foi o poeta do povo por simples amor à sua terra e às coisas a ela inerentes. Marianita, embora encerrada em seu mundo de mulher frágil e aristocrática, é também ligada às mesmas coisas, à mesma tradição que vem desse povo. E Lorca faz tudo isto desfilar ante seus olhos, como dizendo: “olha o que tens a perder”. Um dos mais fortes momentos de transposição da vida espanhola ao ambiente íntimo de Mariana é quando as suas jovens amigas carregam a “plaza de toros” de Ronda para sua sala de visitas:

Na maior corrida
vista em Ronda, a velha.
cinco touros de azeviche
com divisa verde e negra.
A praça, com o gentio
“acanalhado” e altos pentes
girava como um zodíaco
de risos brancos e negros.
Que grande equilíbrio o seu
com a capa e a muleta!
Cinco touros matou; cinco,
com divisas verde e negra

E Lorca dá a esta transferência a força de sua própria definição:

Na Espanha o duende tem um campo sem limites (…) em toda a liturgia dos touros, autêntico drama religioso onde, da mesma forma que na missa, se adora e se sacrifica a um Deus.

E tudo forma um painel doloroso para a mulher que confessa: Tenho o coração louco e não sei o que quero.

Lorca contrasta o drama íntimo da personagem, faz contraponto de narrativas; raras coisas acontecem. Quase sempre intui e sugere o drama profundo de Mariana através de palavras inconscientes de outros personagens. O clima de lirismo torna delicado e cativante o sentimento mais sofrido. É como se Mariana Pineda tivesse os seus últimos momentos trabalhados em cores pastel, mais destinadas a entristecer-nos do que a nos fazer viver o drama:

Ah. duque de Lucena,
Já não te verá mais!
A bandeira que te bordo
de nada servirá.

A canção popular que as crianças cantam adianta o rumo do amante:

Adeus menina linda,
espigada e esbelta,
vou para Sevilha,
onde sou capitão.

Fernando, o jovem que, embora não correspondido, permanece fiel a seu amor por ela, diz no final:

Não virá porque nunca te quis, Marianita.
Já estará na Inglaterra com outros liberais.
Te abandonaram todos os teus antigos amigos.
Somente meu jovem coração te acompanha.

Mas Mariana já terá crescido tanto que nem ela mesma pode mais conter-se ou recuar. Talvez o seu “duende”, trazido pela proximidade da morte, a houvesse transformado da suplicante e insegura:

Pedro, toma teu cavalo
ou vem montado no dia.
Mas rápido! Que já vêm
para tirar-me a vida!

Na arrogante e decidida:

Se eu trair. até as pedras de Granada 
já dirão com medo o teu nome querido.
Ah, meus filhos não hão de desprezar-me
e seu nome terá claridades de lua.
Em seus rostos haverá um resplendor
que não se apagará com os anos nem com os ares.

É o fim do processo de individuação, o encontro com sua verdadeira natureza, a transformação e crescimento de Marianita, impresso no desenvolvimento teatral da personagem, aquilo que a engrandece. Lorca não explora um esquema barato para fazer dela uma supermulher, pois se trata de algo muito maior, a arte de apresentar uma jovem quebradiça, do mais fino cristal, que precisa encontrar forças na fraqueza das pessoas a ela ligadas e às quais ama, para transformar-se no símbolo daquilo que nunca pretendera significar:

Dai-me um ramo de flores!
Nas minhas últimas horas, quero engalanar-me toda.
Quero sentir a dura caricia de meu anel
e prender no corpo minha mantilha de renda
(...)
Pedro. quando eu morrer, hás de querer-me tanto.
que sem mim já não poderás viver um só momento.
Olha, Pedro, a que altura o teu amor me leva,
eu sou a Liberdade, pela qual me deixaste,
eu sou a Liberdade, a que os homens feriram.

E segue para morte quase cantando:

Liberdade da altura, oh liberdade certa,
acende para mim os teus astros distantes.
Amor, amor, amor e eternas ilusões...

A mulher dependente e apaixonada, a mulher frágil, delicada, nascida e criada para os segundos planos. Esta mulher tornou-se símbolo de algo mais forte que a própria Espanha, de algo mais poderoso que todas as lutas; o verdadeiro sentido do viver, do amar. Mariana Pineda é meu personagem preferido, aquele que nunca interpretarei, mas que procurei transmitir a muitas pessoas amadas. Uma delas, uma das mais amadas e de maior identidade comigo, disse certa vez:

“Marianita Pineda dorme bem junto do meu peito, eu que também quereria”:

Sonhar na verbena e no jardim
de Cartagena, luminoso e fresco...

[1] Mariana Pineda Muñoz nasceu em 1º de setembro de 1804 e foi executada em 26 de maio de 1931, aos 26 anos, tendo seu pescoço estraçalhado pelo “garrote vil”, um dos recursos mais cruéis adotados no mundo para destruir inimigos do estado e que continuou a existir na Espanha até 02 de março de 1974, quando foi executado o anarquista Salvador Puig Antich.

INSTITUTO DE ESTUDOS LIBERTÁRIOS ENTREVISTA GUALTIERO MARINI

Excelente entrevista. Corajosa e solidária. Uma aula de História muito necessária. Parabéns, reduziu minha ignorância.

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Janeiro de 2023

Gualtiero Marini

1) Quem é Gualtiero Marini?

Um italiano “auto-exilado” que chegou no Brasil em 2011 e que pouco tempo atrás descobriu que sua bisavó paterna nasceu numa pequena cidade de Minas Gerais, no final do século XIX. O ciclo eterno das migrações na sociedade capitalista às vezes surpreende de forma positiva… No meu caso, a crise econômica de 2008 foi uma das principais razões que me forçaram a deixar a Itália e, graças a um contato na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), tive a oportunidade de fazer um doutorado em Ciência Política e descobrir esse país maravilhoso que se tornou minha nova casa. Apaixonado pela filosofia, pela política e pela música (em vinil, melhor), professor de italiano por profissão e pós-doutorando em História na Universidade Federal de São Paulo por prazer e necessidade.

2) Como se deu a sua aproximação com o anarquismo?

Na adolescência já…

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Liberdade para Kirill Ukraintsev, sindicalista, vítima do regime russo!

Avatar de colibevPortal Anarquista

.

Com mais de 20 anos à frente da Federação Russa, Putin tem travado uma verdadeira guerra contra o povo da Rússia, cuja situação económica e social continua a piorar. Para tentar esconder a situação, além do desenvolvimento de campanhas de intoxicação e propaganda, o regime silencia por todos os meios aqueles que ousam falar alto e lutar por mais liberdade e justiça. Sindicalistas, anarquistas e, em geral, defensores dos direitos humanos estão particularmente na sua mira… A guerra desencadeada após a invasão do território ucraniano aumentou a brutalidade da repressão por parte do Estado russo, que agora nem sequer finge respeitar a sua própria legalidade.

Kirill Ukraintsev é um simples trabalhador precário, um estafeta que faz entrega de refeições, e que com outros colegas, em 2020 teve a coragem de dizer “niet” ao seu patrão-oligarca e de criar um sindicato para exigir respeito pela sua dignidade. Desde 2020, eles…

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O ARQUIVO NACIONAL HOJE THE ARQUIVO NACIONAL OF BRAZIL TODAY EL ARQUIVO NACIONAL DE BRASIL HOY

Como arquivistas e profissionais do setor, conhecedores do papel fundamental dos
arquivos nacionais na promoção dos direitos dos cidadãos e na preservação dos
documentos da administração pública, assistimos com preocupação aos
acontecimentos envolvendo o Arquivo Nacional do Brasil.
Tal órgão, que realizou, com ajuda internacional, na década de 1980, um projeto de
modernização, assumindo um papel de destaque nacional e internacional, tem sido
alvo frequente nas redes sociais e em jornais de notícias que parecem indicar uma
alteração no seu perfil institucional. Nelas discutem-se aspectos há muito consagrados
na profissão, como o papel dos arquivos nacionais na gestão de documentos da
administração pública, aprovando planos de classificação, tabelas de destinação e
ações de eliminação de documentos, realizando recolhimentos com regularidade,
dando acesso a tais registros e na proteção do patrimônio arquivístico nacional, seja o
de origem privada ou pública, com especial destaque para aqueles documentos
relevantes para memória e reparação de violações de direitos humanos.
Ainda que essas funções sejam sempre difíceis e desafiadoras, não podem ser
negligenciadas por arquivos, entidades ao mesmo tempo culturais e administrativas,
que pertencem ao Estado e aos cidadãos, e que atendem não só ao presente, mas
também às necessidades das gerações futuras.
As recentes alterações no quadro de profissionais do Arquivo Nacional, com
devolução de pessoal especializado cedido, transferência de profissionais, com larga
experiência, dos setores aonde exerciam suas atividades para outros, com requisitos
de habilidades diversas, o esvaziamento da área de gestão de documentos digitais,
em que a instituição desempenhou um papel de vanguarda no Brasil e a passagem do
MAPA (Memória da Administração Pública Brasileira) da área de gestão de
documentos, onde servia ao controle dos acervos produzidos pelos órgãos e à área de
tratamento da documentação permanente, para a coordenação de publicações, mais
afeita a pesquisas essencialmente históricas, reforça a inquietação sobre o presente e
o futuro do órgão e do seu acervo, atual e vindouro.
Esperamos que o Arquivo Nacional do Brasil, atento à sua história e à teoria
arquivística, consiga ultrapassar os problemas hoje enfrentados e se manter fiel à sua
missão de servir ao Estado e ao cidadão, de hoje e do futuro.
________________________________________
As archivists and persons of related professions, we are aware of the fundamental role
of national archives in promoting the rights of citizens and preserving the records of
public administration for history. Consequently, we are watching with deep concern the
events currently involving the Arquivo Nacional of Brazil.
The Arquivo Nacional, which with international help in the 1980s carried out a
modernization project, has a prominent national and international role. Recently,
however, it has become a frequent target on social networks and in newspapers,
seemingly indicating a change in its public institutional profile. These media discuss
functions that have long been recognized as an integral part of the archival profession,
such as the role of a national archives in managing the records of public administration,
making decisions on what records to preserve and which to destroy, regularly
accessioning and providing access to permanently valuable records, and protecting the
national archival heritage, whether of private or public origin, with special emphasis on
documents important for historical memory and for safeguarding of human rights.
Although these functions are always challenging to carry out, they cannot be neglected
by a public archives, which has both a cultural and an administrative role. The archives
held by the Arquivo Nacional belong to the State and the citizens, serving not only
present needs but also those of future generations.
We, the undersigned, are concerned by the recent staff changes at the Arquivo, with
the abrupt reassignment of personnel with extensive specialized experience from the
areas in which they have expertise to other areas with difference skill requirements. We
are dismayed by the decisions which have hollowed out work on digital document
management, an area in which the Arquivo has played a leading role in Brazil. And we
deplore the transfer of MAPA (Memória da Administração Pública Brasileira), which
served to manage the creation of records by agencies and other public administration
bodies and also to support the arrangement and description of the historical archives,
from the section of document management to the section controlling publications which
is essentially devoted to historical research not interactions with government
administration. All these changes heighten our concern about the present and future of
the Arquivo and its holdings.
We hope the Arquivo Nacional of Brazil, respecting its history and relying on archival
principles, will be able to overcome the problems it faces today and will remain faithful
to its mission of serving the State and its citizens, today and for the future.
________________________________________
Como archivistas y profesionales del área, conscientes del papel fundamental de los
archivos nacionales en la promoción de los derechos de la ciudadanía y la
preservación de los documentos de la administración pública, observamos con
preocupación los hechos que involucran al Arquivo Nacional de Brasil.
Esta institución, desde la década de 1980, llevó a cabo – con ayuda internacional – un
proyecto de modernización con el que asumió un destacado papel nacional e
internacional. En el último tiempo, ha sido un blanco frecuente en las redes sociales y
en los periódicos que parecen indicar un cambio en su perfil institucional. Se discuten
aspectos que desde hace mucho tiempo son reconocidos en la profesión: el papel de
los archivos nacionales en la gestión de documentos de la administración pública, la
aprobación de cuadros de classificación, tablas de plazos de guarda y acciones de
eliminación de documentos, la importancia de realizar ingresos periódicos, dar acceso
a su acervo y proteger el patrimonio archivístico nacional-ya sea de origen privado o
público- con especial énfasis en los documentos relevantes para la memoria y
reparación de las violaciones de derechos humanos.
Si bien estas funciones son siempre difíciles y desafiantes, no pueden ser
desatendidas por los archivos, entidades que son culturales y administrativas a la vez,
pertenecientes al Estado y a la ciudadanía, y que sirven no solo al presente sino
también a las necesidades de las generaciones futuras.
Los recientes cambios en la plantilla del Arquivo Nacional, que implicaron el regreso
de personal especializado asignado y el traslado de profesionales con dilatada
experiencia de los sectores en los que ejercían su actividad a otros con diferente
exigencia de competencias; el vaciado del área de gestión documental digital, en la
que la institución tuvo un papel protagónico en Brasil; y el paso del MAPA (Memória da
Administração Pública Brasileira) del área de gestión documental, donde sirvió para
controlar la documentación producida por los organismos y para el área de
procesamiento de documentación permanente, al de coordinación de publicaciones,
más dedicada a la investigación esencialmente histórica; refuerza la preocupación por
el presente y futuro del órgano y su acervo, actual y por venir.
Esperamos que el Arquivo Nacional de Brasil, atento a su historia y adscripción a la
teoría archivística, logre superar los problemas que enfrenta hoy y se mantenga fiel a
su misión de servicio al Estado y a la ciudadanía, hoy y en el futuro.
________________________________________
C’est avec inquiétude qu’en tant qu’archivistes et professionnels du secteur, conscients
du rôle fondamental des archives nationales dans la promotion des droits des citoyens
et la préservation des documents de l’administration publique, que nous avons assisté
à des événements concernant les Archives nationales du Brésil.
L’Arquivo Nacional, qui a réalisé un projet de modernisation avec l’aide internationale
dans les années 1980, joue un rôle national et international de premier plan.
Récemment cependant, il est devenu une cible fréquente sur les réseaux sociaux et
dans les journaux, ce qui semble indiquer un changement dans son profil institutionnel
public. Ces médias débattent de fonctions qui sont depuis longtemps reconnues
comme faisant partie intégrante de la profession d’archiviste, comme le rôle des
Archives nationales dans la gestion de l’archivage dans l’administration publique, la
responsabilité des décisions sur les documents à préserver et ceux à détruire, la prise
en charge régulière des documents à conservation permanente, la garantie de l’accès
à ces documents, ainsi que la protection du patrimoine archivistique national, qu’il soit
d’origine privée ou publique, en mettant l’accent sur les documents importants pour la
mémoire historique et pour la réparation des violations des droits de l’Homme.
Bien que ces fonctions soient toujours difficiles à remplir et posent des défis, elles ne
peuvent être négligées par les Archives, qui ont un rôle à la fois culturel et
administratif, qui appartiennent à l’État et aux citoyens et servent non seulement les
besoins actuels mais aussi ceux des générations futures.
Or plusieurs faits sont particulièrement préoccupants, qui renforcent notre inquiétude
quant à l’avenir de l’organisme et des archives qu’il conserve, aujourd’hui et dans le
futur : les changements récents de personnel aux Archives nationales, avec le retour
d’agents spécialisés détachés, et le transfert de professionnels très expérimentés de
leur secteur d’activité à d’autres exigeant des compétences différentes ; le retrait
significatif de ressources humaines du secteur de l’archivage numérique, dans lequel
l’institution a joué un rôle d’avant-garde au Brésil ; le transfert de la MAPA (Memória da
Administração Pública Brasileira -Mémoire de l’administration publique brésilienne) du
secteur de la gestion de l’archivage, où elle contrôlait la production documentaire des
organismes et le traitement des archives à conservation permanente, au secteur de la
coordination des publications, plus particulièrement dédié à la recherche historique.
Nous espérons que l’Arquivo Nacional du Brésil, en respectant son histoire et en
s’appuyant sur les principes archivistiques, sera en mesure de surmonter les difficultés
qu’il rencontre actuellement, et restera fidèle à sa mission de service de l’Etat et des
citoyens, aujourd’hui et à l’avenir.

NOME / NAME / NOMBREPAÍS / COUNTRY
/ PAÍS
1.Trudy H. PetersonUSA
2.Antonio González QuintanaEspanha
3.Mariana NazarArgentina
4.Jaime Antunes da SilvaBrasil / RJ
5.Vitor FonsecaBrasil / RJ
6.Silvia de MouraBrasil / RJ
7.Margareth da SilvaBrasil / RJ
8.Celina Vargas do Amaral PeixotoBrasil / RJ
9.Aline LacerdaBrasil / RJ
10.Agnès MagnienFrança
11.Luciana Quillet HeymannBrasil / RJ
12.Ana Celeste IndolfoBrasil / RJ
13.Vera Lúcia Hess de Mello LopesBrasil / RJ
14.Francisco Carlos Teixeira da SilvaBrasil / RJ
15.David SuttonUnited Kingdom
16.Michael J. FoxUSA
17.Paulo Elian dos SantosBrasil / RJ
18.Beatriz KushnirBrasil / RJ
19.Georgete Medleg RodriguesBrasil / DF
20.Welder SilvaBrasil /MG
21.Anna SzlejcherArgentina
22.Elisabete Gonçalves SouzaBrasil / RJ
23.Marieta de Moraes FerreiraBrasil / RJ
24.Perrine CanavaggioFrança
25.Lucia LippiBrasil / RJ
26.Daniel PittiUSA
27.Deborah JenkinsUnited Kingdom
28.Rosale de Mattos SouzaBrasil / RJ
29.Sara SchliepUSA
30.Ismênia de Lima MartinsBrasil / RJ
31.Cynthia RoncaglioBrasil / DF
32.Audra Eagle YunUSA
33.Maria Celina D’ AraujoBrasil / RJ
34.Eliane Braga de OliveiraBrasil / DF
35.Thereza BaumannBrasil / RJ
36.Ivan de Sá RezendeBrasil / RJ
37.Tânia BessoneBrasil / RJ
38.Renata BorgesBrasil / RJ
39.Victoria Crosman de RezendeBrasil / RJ
40.Rodrigo EstevãoBrasil /SP
41.João FonsecaUSA
42.Courtney Ivins PriceUSA
43.Vânia Leda CunhaBrasil / RJ
44.Renato de MattosBrasil / RJ
45.José Francisco Guelfi CamposBrasil / MG
46.Evelin MInteguiBrasil / RS
47.Michael RushUSA
48.Gilda VerriBrasil / PE
49.Luiza Crosman de RezendeBrasil / SP
50.Alzira Alves de AbreuBrasil / RJ
51.João Luiz de Araújo RibeiroBrasil / RJ
52.Stefano VitaliItália
53.Maria Lúcia Cerrutti MiguelBrasil / RJ
54.Renato VenâncioBrasil / MG
55.Lúcia BastosBrasil / RJ
56.Lygia GuimarãesBrasil / RJ
57.Guilherme Pereira das NevesBrasil / RJ
58.Marcos Guedes VeneuBrasil / RJ
59.Clarissa SchmidtBrasil / RJ
60.Francisco CougoBrasil / RS
61.Renato Motta Rodrigues da SilvaBrasil / PE
62.Christine MartinezFrança
63.Luciana DurantiCanadá
64.Roberta Pinto MedeirosBrasil / RS
65.Carlos Alberto Ávila AraújoBrasil / MG
66.Cintia Aparecida ChagasBrasil / MG
67.Silvano G. A. Benito MoyaArgentina
68.Maria Leandra BizelloBrasil / SP
69.Marcelo Tadeu Bauman BurgosBrasil / RJ
70.Alba Gisele GougetBrasil / RJ
71.Patricia HuanuqueoChile
72.Adrian CunnighamAustrália
73.Paulo KnaussBrasil / RJ
74.Diana Gonçalves VidalBrasil / SP
75.Marcia Cristina de Carvalho Pazin VitorianoiBrasil / SP
76.Rosely RondinelliBrasil / RJ
77.Gilberto G. CândidoBrasil / PA
78.Roberto Lopes dos Santos JúniorBrasil / PA
79.Iane Maria da Silva BatistaBrasil / PA
80.Natália Marinho do NascimentoBrasil / PA
81.Mônica TenagliaBrasil / PA
82.Jorge Eduardo Enriquez VivarBrasil / RS
83.Dina Elisabete UlianBrasil / SP
84.Andreas NefSuíça
85.Hildete Pereira de MeloBrasil / RJ
86.Heloisa PauloPortugal
87.Enrique Coraza de los SantosMéxico
88.Vittório CappelliItália
89.Aderson BussingerBrasil / RJ
90.Luis Reis TorgalPortugal
91.Alberto Pena RodríguezEspanha
92.Mariza Soares CarvalhoBrasil / RJ
93.Antonio Edmilson RodriguesBrasil / RJ
94.Maria Teresa MatosBrasil / BA
95.Lucia Maria Velloso de OliveiraBrasil / RJ
96.João Marcus Figueiredo AssisBrasil / RJ
97.Antonio Herculano LopesBrasil / RJ
98.Fernando de Assis RodriguesBrasil / PA
99.Maria Ana QuaglinoBrasil / RJ
100.Michael ConniffUSA
101.Helena BomenyBrasil / RJ
102.Joan OsbourneTrinidad & Tobago
103.Andre Luiz Vieira de CamposBrasil / RJ
104.Maria Regina Celestino de AlmeidaBrasil / RJ
105.Hebe Maria MattosBrasil / RJ
106.José Almino AlencarBrasil / RJ
107.Rita de Cássia Portela da SilvaBrasil / RS
108.Clara Marli KurtzBrasil / RS
109.Glaucia Vieira Ramos KonradBrasil / RS
110.André Vieira de Freitas AraújoBrasil / RJ
111.Juan Jose AlonsoEspanha
112.Cristina EmperadorEspanha
113.Mercedes Martin-PalominoEspanha
114.Andrea Telo da CorteBrasil / RJ
115.Luiz Cleber GakBrasil / RJ
116.Luís FarinhaPortugal
117.Frederico Alexandre HeckerBrasil / SP
118.Gizlene NederBrasil / RJ
119.Renato Janine RibeiroBrasil / SP
120.Wilma Peres CostaBrasil / SP
121.Laura de Mello e SouzaBrasil / SP
122.Jorge Fernandes AlvesPortugal
123.Daniel Aarão ReisBrasil / RJ
124.Angela de Castro GomesBrasil / RJ
125.Lucia Maria Paschoal GuimarãesBrasil / RJ
126.Blanca I. BazacoEspanha
127.Eliete SantosBrasil / PB
128.Telma Campanha de Carvalho MadioBrasil / SP
129.Natália Bolfarini TognoliBrasil / RJ
130.Regina da Luz MoreiraBrasil / RJ
131.Margarete Farias de MoraesBrasil / ES
132.Julieta SahadeArgentina
133.Ingrid JaschekArgentina
134.Leonardo MelladoChile
135.Rodrigo SandovalChile
136.Andrés Pak LinaresArgentina
137.Ana GuerraArgentina
138.Vera de la FuenteArgentina
139.Rocío CaldenteyArgentina
140.Cecilia García NovariniArgentina
141.Eugenia AlvesArgentina
142.Valentina RojasChile
143.María MontenegroChile
144.Rodrigo CarrazanaChile
145.Claudio OgassChile
146.Viviana PinochetChile
147.Bruno Henrique MachadoBrasil / SP
148.Jorge Alberto Soares CruzBrasil / RS
149.Johanna SmitBrasil / SP
150.Sonia Elisabete ConstanteBrasil / RS
151.Carlos Augusto AddorBrasil / RJ
152.Mariléia InoueBrasil / RJ
153.Fania FridmanBrasil / RJ
154.Rodrigo Patto Sá MottaBrasil / MG
155.Benito Bisso SchmidtBrasil / RS
156.Armelle EndersFrança
157.Angélica MüllerBrasil / RJ
158.Camille GoirandFrança
159.Ana Célia Navarro de AndradeBrasil / SP
160.Evergton Sales SouzaBrasil / BA
161.Danilo BarbieroBrasil / RS
162.Francisco Cesar Alves FerrazBrasil / PR
163.Karina Veras Praxedes dos SantosBrasil / RJ
164.Karin Christine SchwarzboldBrasil / RS
165.Flávio Leal da SilvaBrasil / RJ
166.Andrea Gonçalves dos SantosBrasil / RS
167.Mariana Batista do NascimentoBrasil / MG
168.Eliane Monteiro ConsideraBrasil / RJ
169.Almir Chaiban El-KarehBrasil / RJ
170.Luiz Carlos SoaresBrasil / RJ
171.Alexandre SamisBrasil / RJ
172.Jorge FerreiraBrasil / RJ
173.José Carlos Sebe Bom MeihyBrasil / SP
174.Fernanda RibeiroPortugal
175.Bruno Ferreira LeiteBrasil / RJ
176.Regina A. HatakeyamaBrasil
177.Ana Maria MauadBrasil / RJ
178.Ana Maria de Almeida CamargoBrasil / SP
179.Valéria Raquel BertottiBrasil / RS

Feliz aniversário, André Luiz! Seja feliz, sempre!

Luiz Alberto Sanz

O dia 23 de setembro tem, para mim, um brilho especial, que vai além da primeira alvorada da Primavera. Em 1966 nasceu meu primeiro filho, André Luiz, mais conhecido como André Sanz) e algumas décadas depois nasceria meu quarto sobrinho neto, Lucas, filho de Cláudia e neto de Sergio Sanz. Ambos neste mesmo dia.

Para ressaltar a importância da data, fui buscar no fundo do poço da memória a cópia de uma carta que escrevi para o André em 20 de setembro de 1974 e lhe enviei do nosso (de Odila, Joca e meu) exílio em Estocolmo. Odila, minha companheira, e André já se conheciam. Ele lhe deu o apelido de Didi quando ainda falava poucas palavras e foi ela que o chamou de Dedé pela primeira vez. Joca é o meu terceiro filho, nascido no Chile, e só veio a conhecer seus irmãos em dezembro de 1969, quando, anistiados, retornamos ao Brasil.

Aqui vai o fac-símile da carta: